.EXORDIUM.

Acabas de entrar no vestíbulo do SER. Aqui encontras Pedestrianismo para os lugares tresmalhados da mente, trekking pelas almas adormecidas e montanhismo pelos altos do companheirismo e tolerância… Desperta e junta-te à vigília… andarilhus@sapo.pt
Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

Câmbio de Domus

Por causa de um underscore (bicho manhoso!)...

... Amigos, não tão amigos, incógnitos, extraterrestres e outros seres que esta casa visitam, p.f. procurem-me em http://galgacourelas.blogs.sapo.pt/

... a confraria dos olhares cépticos continua, noutro lar... noutro endereço...

Saudações para todos...

sinto-me:
música: Sisters of Mercy: Walk Away
publicado por ANDARILHUS às 08:33

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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

In Vino Veritas

… A verdade também pode ser o espelho quebrado da realidade…

 

Por dias sem noite, serviu-se o vinho da protelação. O saborear arrastara-se trago a trago. As gotas do néctar acumularam-se no cálice da boa fé, adornado com a pega da ingenuidade.

Já se via a luz do entendimento a transbordar pela soleira da porta e, daí, o horizonte do prado da saída.

E quando tudo parece nas mãos do alegre Dionísio, nas Bodas de Canã da minha incredulidade, do vinho se fez pó do deserto. Os cântaros, prometidos como relicários do esforço das melhores uvas, ultrajam a crença de quem trouxera a bandeira da concórdia. O tratado encapotara-se com as vestes da hipocrisia.

A canícula não dá trégua, após alguns dias de bagos de chuva morna, de sustento da sofreguidão dos organismos vivos, mais ou menos vegetantes.

A sombra, outrora fria e gélida é, agora, amparo e santuário a cristão e maometano. Toleram-se os olhares feros de ódio e inimizade. Se necessário fosse, encostavam-se uns com os outros para albergar mais almas no acolhedor oásis.

Entro em fronteira entretanto fechada, com a complacência de quem a fechou. Há que amordaçar o calor em chamas tépidas. Não se afasta para longe, no entanto, a chispa que tudo pode incinerar…

O fogo consome lento e sem se ver… como o amor do ilustre lusitano. Mas, desta vez e após muitos anos, alimenta apenas a tolerância e o respeito essenciais à manutenção da comunicação. E a espera… a amaldiçoada espera, retesa a paciência e dá conta da sua força. Áh!... Noutros capítulos da história, como seria a medida da pachorra?! Certamente tão grande como a experiência fugaz de um engenho pirotécnico: um silvo, uma aceleração fulminante e a explosão destruidora e aniquiladora de qualquer trato harmonioso ou descanso!

 

Resta adoptar o comportamento astuto do mercador, dissimular as pedras do jogo do negócio. Partida de dados no lúgubre recanto da adega da verdade azeda, onde olhares atentos afastam para longe a sinceridade…

 

Como gostava que terminasse o baile de máscaras para retomar plenamente o meu EU, sem derivações… Fere a terra, espada do acerto e da verdade!

“(º0º)”

sinto-me:
música: Heroes Del Silencio: El Espirito del Viño
publicado por ANDARILHUS às 08:47

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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2006

Trilogia III

 

 

Episódio III : Esperança e Posteridade

 

Natal Interior

 

Marquei inúmeros encontros contigo,

Mas não comparecias…

Lancei ao vento lamento

E aguardei novas de ti;

Roguei à crença, licença,

E esperei por divina visão;

Exaltei no desejo, ensejo,

E apurei os sentidos;

Despertei no amor, fervor,

E convoquei a emoção.

Mantinha o suspiro,

Na transição daqueles dias.

Ia já alta a madrugada

Na ansiedade nervosa, sem partilha.

Finalmente vejo-te, deliro!

Mesmo em silêncio, para mim, tu rias.

A respiração, essa, pára, embargada!

No peito só o Sol, em esplendor, brilha.

Os teus olhos espertos,

Acendem nos meus, húmidos,

As luzes de Natal

E, em Maio,

Antecipo o sorriso de presépio!

 

Chegara a gota de orvalho

Almejada no deserto, como estrela de vida.

Da esperança à alegria, um oásis de mel

Empurra para longe o cascalho

E arrasta a areia entorpecida,

Espalhando-se em nascente Rafael!

 

J.Pópulo

X : IV : MMVI

 

… Tempo de olhar em frente e descalçar as pesadas botas do passado… ser pedagogo e exemplo para o rebento...

 

VOU DE FÉRIAS… Até sempre!

Andarilhus

 

sinto-me:
música: REM: Around The Sun
publicado por ANDARILHUS às 08:43

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Trilogia II

 

Episódio II : Novo Céu e Respirar

Predilecta

Reservo-te a luz,

Preciosa,

Na penumbra da minha caverna

Secreta.

Sobre minha pele, projectas a cruz,

Da salvação desta mente copiosa;

Lucerna,

Para a via idílica predilecta!

Assentaste santuário

No flanco mais devastado

Do campo de meu pelejo.

Renovaste o sudário

Deste corpo cansado,

Rasgando a mortalha do desejo!

Do mistério ao segredo,

Tão estimulado,

Exalto o coração de menino,

Sem medo,

Na saudade de ser amado,

Na ousadia de um beijo ladino!

Anseia meu agro

Por semente;

Aguarda meu ar

Por volatilidades.

A mudança é meu consolo;

A letargia ao esquecimento consagro,

Enquanto salto entre passado e presente,

Em decidido acordar,

Numa só, atravesso muitas idades,

E atino caminho para a lógica do tolo…

És a estrela no meu crepúsculo,

O agasalho nos frios da minha vigília.

Por cada hora que marca o meu destino

Entrego-te 60 segundos do meu ser.

No oráculo devoto meu ósculo

Entre entes dos deuses família.

Andarilho, do profano ao divino,

Na busca de teu coração, para aí, enfim, jazer...

 J.Pópulo

MMVI : II : XIV

...Tempo de renovar e renascer...

 

sinto-me:
música: Dead Can Dance: Ariadne
publicado por ANDARILHUS às 08:40

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Trilogia I

 

 

O momento pode fixar um poema e um poema pode levitar um momento…

Não instauremos, porém, fundamentalismos e normalizações balofas, porque há momentos que, num singular instante, fazem transbordar toda a matéria que alimenta o sangue que ferve nas veias.

Quando deixei o refúgio e me libertei das teias do mofo e da inanição bolorenta, quando dependurei o olhar do topo da minha torre, lá bem no alto, fugiram pelas mãos uns quantos sentimentos – que precisavam de respirar – para se depositarem nas folhas sensíveis de um choupo negro (Populus Nigra).

É agora tempo de fazer o balanço, juntar as peças do puzzle e confrontar as pistas do enigma. Descobrem o segredo?

 

Episódio I : Último suspiro e Fé

 

Transvaze Para a Fonte do Ser

 

Eis-nos chegados a nova barragem

Deste rio que deveria correr exuberante.

Cansado dos momentos estanque,

Abafa-me a vontade do transformar:

Terei exigido demais à coragem?

Apresta-se o sangue para mais um ciclo oxidante?

Para quê o empenho em novo arranque?

Vês fuga para o esmorecer do encantar?

Abriste-me as comportas do teu mundo

Para logo retardar minha corrente

Em amordaçada obrigação de companhia,

Fui perdendo o cais da fé, da magia e da lenda…

Nas margens estreitas da felicidade me confundo

Em lesmento enganar do leito inconsciente:

Se mais banhava a praia da tua inércia, não conseguia

Dar a esta vida as águas de renovada senda.

Esforças-te agora por dar remos à barca.

Mas longa se fez a solitária espera;

Desviou o rio sua fadada rota,

Na busca da passagem para à nascente retornar.

Não o condenes ou apontes negra marca

Porque quem suspende querer, desespera

E não há alimento que chegue à lota

Do coração e do saber amar…

 J.Pópulo

MMVI : II : XIX

... tempo de ter fé...

 

sinto-me:
música: Placebo: Song to Say Goodbay
publicado por ANDARILHUS às 08:39

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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Narrar et Audire

 

Expor e ouvir, suporta a concórdia: olhar para o céu e estar atento à súplica das nuvens negras evita-nos a chuva triste...

 

Sai! E subi… subi os alcantilados dos picos da divisão do mundo. Em doce maneio, agito a insígnia da determinação. A decisão aponta-me um horizonte que não pára de crescer.

E tu, tu podes ser o pêndulo do meu equilíbrio: Podes ser o meu sentimento mais apurado; Podes ser o meu círculo mais perfeito. Por ti, abafo os maus pensamentos que me apoquentam e desejo ser um homem melhor, um ser humano digno da sua condição.

E eu, para ti, posso ser companheiro. E, deitada, já não precisas de adormecer virada para a parede. Do outro lado, já não está o vazio e a tristeza…

 

Desmancha-se o nó; rebola-se o novelo. Abre-se o livro, um novo livro, ainda a aguardar posteriores e excelsos capítulos, que agucem a leitura. Começa por um posfácio, interlúdio para uma nova ordem, para uma jornada no tempo. Dobra-se o tempo, e mais do que uma inversão da sua marcha, aqui se vai recuperar uma história de embalar… os passos perdidos da fortuna.

“O verde dominava, aqui e ali pintalgado de algum cinzento granítico. O silêncio do céu também enchia a paisagem, aqui e ali rasgado pelo correr maroto de um riacho atrevido.

O Vale da Existência Primordial era consagrado à reserva da essência da vida deste martirizado corpo celeste. Conseguira-se esse mínimo de concórdia entre os líderes dos Homens. Um corpo de sacerdotes cumpria a responsável tarefa de vigilância deste espaço sagrado. Para além dos sacerdotes, só Gondorilhus e Coleana representavam a espécie humana neste templo da criação.

- “Achei-te pensativa, ontem, ao final da tarde, quando contemplavas no horizonte a infusão marítima, cada vez mais ténue, entre a terra e o céu...”.

Coliana, recuperando a memória do dia anterior, pausou a voz em suspiro: - “Gondorilhus, contemplar o Céu e a Terra num ponto distante do mar, leva-me ao quarto escuro... onde o baú dos sonhos...continua...fechado...com medo de abrir...”.

Irrompe a inquietação de Gondorilhus, perdido no tempo e sentindo o chão fugir-lhe sob os pés: - “Que revelará tal atrevimento? Devemos despertar o passado do mundo ou buscas os meandros misteriosos da passagem dos portões dourados do futuro?”

E com isto Gondorilhus deixou render sua mão sobre o ombro de Coliana, não sabendo se aquele era um gesto de contenção ao impulso da amiga ou um sinal de companhia por viagem a um insondável destino...

Coliana sentiu a mão firme de Gondarilhus no seu ombro. Mesmo sem o querer,  aquele baú que teimava permanecer encerrado, abriu-se e o mais simples sonho saiu, como se naquele momento fosse possível... tinha encontrado o companheiro de viagem... 

Gondarilhus sentia-se privilegiado por conhecer Coliana desde tempos cuja memória se havia perdido. Esta sempre o acompanhara no seu mais profundo ser e não passava um dia pelo templo da mais viva lembrança em que aquele infeliz amordaçado não exaltasse as suas preces por aquela que tanta felicidade lhe trazia, arrancando-o, copiosas ocasiões, de precoce morte.
No entanto, Gondarilhus receava ser o advento de tempos nefastos. Não poucas vezes pedia a Coliana: - “Fogo – cognome que, com carinho, atribuía a Coliana – afasta a minha imagem do teu coração e meu nome de teus lábios, pois eu sou a destruição!”.

Mas era exactamente pelo contrário que fervilhava o seu sangue. O pensamento levava luta tenaz pelos prados do querer. Peleja infindável e sem resultado previsto. Desaparecer e deixar-se morrer seria, talvez, a solução mais fácil. Mas, importava agora não faltar a Coliana e acompanhá-la na sua demanda, enquanto a força não o abandonasse.

A força de Gondarilhus fazia manter a chama da vida acesa no coração de Coliana. Sabia que encontrara o seu companheiro, aquele que, por muito tempo havia esperado. Coliana sentia um amor inquebrantável no seu coração, que lhe fez apagar todas as lembranças de dor e infelicidade que outrora sentira.

Apesar de viverem felizes, Coliana sentia algo no seu inconsciente que lhe atormentava a alma: tinha o profundo desejo de saber de onde viera, porque razão fora ali parar. Decidiu empreender uma luta com um passado que lhe tinha causado algum sofrimento, pois sabia que o seu caminho era esse se quisesse encontrar respostas para as suas perguntas. Depois de ter pedido a Gondorilhus que a acompanhasse, decidiu partir em busca das suas raízes."

 

… E partiram… Aguardemos as novas da jornada, profetizadas e cumpridas em vicissitudes agridoces. Os arautos do vento logo revelarão os feitos destes dois…

 

sinto-me:
música: This Mortal Coil: "Song to the Sirene"
publicado por ANDARILHUS às 08:45

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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006

CELA

 

 

Quanto mais exígua for a Cela, mais rapidamente nos encontramos…

… Entrei no templo…

Aí aguardavam pela chegada de alguém - talvez uma alma intratável -, para lhe aplicarem os sacramentos de esconjuração do cepticismo. Tinham tudo preparado: os óleos santos, o circulo, a imagem da salvação…

Na penumbra da nave central os hábitos movimentavam-se pausadamente. Da abertura do capuz apenas se distinguiam alguns olhos reluzentes e o som dos cânticos que entoavam em coro diligente.

A tarefa apresentava-se árdua, tal a aglomeração de braços pujantes e objectos litúrgicos.

Aquele que esperavam deveria ser IMENSO. Imenso de confusão, imenso de sentimentos cruzados, imenso de duvidas, imenso de heresias. Um ser inveterado, sem ordem e disciplina. Tudo se aprontava para fazer dele um exemplo: um crente compulsivo!

Passei ao longe, na direcção do altar, alheado da cerimónia e atento ao que me aí trouxera. MAS, ELES PRECIPITARAM-SE SOBRE MIM!

Eis-me no centro do circulo… Percorro as imagens do passado, limpo as lágrimas já choradas, desligo as gargalhadas de alegria, descarno as memórias em remorso ou convicção. Os sortilégios são lançados por palavras de dialectos antigos. Não compreendo o que dizem, apenas sinto a alma em estrebuchares de marés vivas.

Estou no centro… do meu EU, o vento rodopia levantando tudo e não deixando assentar nada. Aqui e ali, algo salta para fora do círculo… O que vai restar de mim?!

Já me entregam uma túnica áspera e disforme de burel. Estou de luto… pela morte daquele que fui…

Encerraram-me numa célula escura… para nascer e crescer em nova mocidade. Sou agora noviço em nova idade. Preparo a fé numa nova oportunidade, aqueço o coração para acreditar e começar vida diferente.

Da pequena clarabóia da célula aprecio as cercanias e ganho coragem para deixar o refúgio e dissolver-me no mar de gente. A frescura e agasalho das pedras do cubículo são tentadoramente acolhedoras na sua despida humildade e inocência. Quando deixar esta paz, estarei pronto para enfrentar novamente as luxúrias do mundo?

Andarilhus "(º0º)"

sinto-me:
música: Fields of The Nephilim: "Dark Cell"
publicado por ANDARILHUS às 08:38

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Segunda-feira, 31 de Julho de 2006

Cruz de Ferro

 

O meu cRISTO precisa de repouso… vou afrouxar os cravos…

 

Sobre o dorso de uma borboleta subi a Via Láctea e desci a Via Dolorosa, num carrossel de sentimentos com “pêlo na venta”! Para arejar o pensamento, dedilhei o rosário até rasgar em sangue a carne dos dedos.

Quando tudo parece uma maresia fresca de águas sonolentas, levanta-se o areal de dúvidas, impelido pelo sopro dos gigantes instigadores.

Então, o peito incha para dimensão ilimitada, tais são os fardos e as bagagens que nele se acumulam, sem destino determinado. Acondicionam-se as malas dos problemas e os males de um lado; os farnéis da alegria e os bens do outro.

Enquanto a viagem se mantém sob as estrelas tudo se sustenta em doce equilíbrio. Todavia, com mais um repentino abalo das correntes cósmicas, precipita-se o rumo da expedição pela rota do calvário. A carga desgoverna-se do seu estado comedido, para se misturar pelo porão do momento. Há males que vêm por bem e problemas que se impõem para relançar a dúvida. E, se a dúvida é o começo, descarto a inexistência de uma solução.

 

Dolorosamente, num curto minuto – diminuído na contagem dos segundos – a via deixa de ter sentido, a confusão inebria os sentidos e, mais, o pensamento. A lógica afoga-se no abstracto, e a reflexão no opaco.

Já não basta a dúvida do instante, todos os pesos se reúnem em solidariedade para afundar a nave do argonauta.

 

E eis que me ofereces uma mão, em amparo das minhas tonturas. Indica-me o caminho para a Cruz de Ferro, onde, alheado da vontade, expiro a dor, a cada passo de aproximação ao marco. Vejo-me em casa: tanto verde giestal, tanto cinzento granítico e tanta contemplação de um céu azul com fofos pingentes brancos. Relembro as fontes onde bebo o amor. Ressuscito os meus altares da fé.

 

Abro os porões e descarrego a carga triste sob uma chuva grossa e salgada. O calor da pluviosidade refresca-me o rosto aquecido pelo SOL persistente. A solução aparece com o soluço da garganta ressequida, que expele as poeiras amontoadas para libertar a voz límpida do pardal engaiolado.

 

Creio que não posso ser mais EU, cheguei ao meu estado mais puro, sem subtilezas ou asas de borboleta para dar alguma beleza ao que mostro. E aqui me reencontro após longos anos de alguns equívocos. Estou leve e disseminado pelo ar que reproduz a áurea da minha silhueta.

Repouso o pensamento cansado pela sobre dosagem do trabalho que lhe foi imputado nos últimos tempos.

Espero assim ficar durante muitos dias, de são conformismo…

 

 
Andarilhus
sinto-me:
música: Muse: "Butterflies and Hurricanes" (Absolution)
publicado por ANDARILHUS às 08:15

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Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

PROSCRITO

A ara do pulmão no centro do corpo...

Proscrito

Não quero pensar…

Pensar come-me as horas

E o ar.

[Quero respirar]

Rói-me as escoras;

Dá-me mais cansar.

 

Será que quero amar?

Sei que me fiz assim,

Para me entregar

Por horizontes sem fim,

Para poder respirar

E trazer até mim

A fé no acreditar.

 

Acreditar, sempre me sustenta o ser

Em frágil aguentar.

[Sem deixar de respirar]

Quando tudo está a acontecer,

Tanta incerteza por depurar.

 

Será que quero amar?

Não me conheço de outro modo

Senão o risco acariciar,

Da nata até ao lodo…

Para poder respirar

E manter-me num todo.

 

Outrora topei o pensar!

Alimentava as horas

Com tanto que havia a sonhar.

Suprimi o ar

Do respirar…

Num pântano ergui escoras,

Ausente de me preocupar.

 

Será que já amei?

No meu reduto neguei a diferença;

No meu quarto cerrei a janela

Do desencanto.

Porque, então, não me soltei?

Tão tarde desfiz a crença

E dei folga à sentinela,

Para libertar as águas do pranto…

 

O tempo passa.

E é sempre tempo

De agarrar o dia,

Arejar a fumaça

E atiçar os carvões do movimento.

No amor tenho a ousadia

De respirar

A esperança no eterno.

Resta-me muito ar,

Que ainda conservo

Bem guardado no pulmão…

…do meu coração!...

 

J. Pópulo

XXVI : VII : MMVI

sinto-me:
música: The Cure: "A Forest"
publicado por ANDARILHUS às 08:30

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Terça-feira, 25 de Julho de 2006

In Mea Limia

Da minha margem sonho em chegar à oposta…

 

1.

Talhar o horizonte com o gume do olhar,

No preciso trecho da melodia que liga o Céu com o Mar…

 

O que é certo? E o que é errado? É material a fronteira entre os opostos?

A soberba dos ares do justo e juiz na sentença dos pares corrompidos pelo erro, pela falha. A tentação de apontar o dedo, enquanto se escondem os nossos próprios telhados de vidro. O que suportar no (pseudo) défice de êxito e de comportamento do outro? Montados no dragão da perfeição, incineramos com facilidade todos quantos não prescrevem as nossas panaceias.

A complacência e o interesse na diferença que nos desencontra… mas também reúne… devem ser conduzidos ao ministério do trato e convívio humano.

 

2.

Superar a falha tectónica do horizonte com a harmonia do olhar,

No preciso epicentro do abraço fraterno que liga o Céu com o Mar…

 

E há um certo, um errado ou fronteira palpável entre os opostos? E há opostos, como extremos unilaterais e intransigentes?

Fazer a ponte entre os pares, ligar as margens da disputa e relançar o diálogo frutuoso… pelo deambulado caminho do franquear desinteressado da passagem para as fontes do entendimento. Assinalar, em retumbante ecoar do poder do sino da concórdia, a instituição do templo da união dos desavindos.

 

É tão fácil dizer, mecanicamente, NÃO! No entanto é muito difícil convencermo-nos em pensar nesse NÃO. Não poderá ser – pelo menos – um TALVEZ??… e depois logo se VÊ… o horizonte sem linha divisória… Tentem dar um pouco mais de atenção à tolerância que eu prometo fazer também um esforço… “(º0º)” Andarilhus

 

sinto-me:
música: PLACEBO: "Every You and Every Me"
publicado por ANDARILHUS às 17:56

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